Algumas vezes duvidei do ditado é preciso estar perdendo pra dar valor. Ainda não concordo de um todo, porém me faz tanto sentido estar em meio á uma dor antecipada de estar diante do abandonar de uma rotina, que por vezes implorei que acabasse. É, bem típico do ser humano. Eu, toda gigante, lançada no mundo me vejo aflita em despedir-me da mesma. Estudar em uma Universidade, vai além dos conceitos adquiridos Vai além do acúmulo de conhecimento, estes que nem sempre se acumulam. Faz parte os choros, as bebedeiras, as festas, os arrependimentos, os sorrisos, as viagens, os estágios, a competição, os sacrifícios, as saudades, os desejos, as confidencias, os ritos e porque não, as despedidas. Quando você se toca, já está no último semestre desejando poder repetir tudo outra vez. Talvez isso é que nos faça aproveitar. É olhar para trás e ver tudo o que foi conquistado. Todos que passaram por nossas vidas. Talvez seja parte de nós mesmos precisar chegar perto de um fim, pra entender que estamos vivos. Que exalamos vivências e experiências. Que não somos sozinhos no mundo e que mesmo que seja meu caminho á seguir daqui em diante, levarei comigo muitas pessoas. Levarei comigo muitos sorrisos, muito carinho, muitos telefonemas de madrugada. Levarei comigo um aprender a dividir, á trabalhar em equipe, á ser mais desencanada, esperar mais, repeitar mais, desejar mais, saber que posso mais e sem perder a essência. Na verdade, e digo de peito aberto, espero que minha essência seja tocada por cada paciente que atendi, cada Mestre que me orientou e cada amiga que me levantou. Espero sair da faculdade bem diferente do que entrei. Bem mais eu, bem mais aberta á possibilidades, bem mais livre e responsável. Espero que saiba lidar com as frustrações, com as limitações e com as decepções. É esperar mesmo um viver melhor. A nostalgia bate á cada momento que vejo o calendário e acredito ficar assim até mesmo depois da formatura, esta que já antecipo choros de um despertar de consciência, de esperança e de amizade. Um despertar pra nova fase que vier, pros novos amigos que conquistar. A fé em Deus, em nós e em mim, levo comigo, porque tudo que passamos vale e vale muito. Obrigada meus amigos, Obrigada Mestres, obrigada Família. Obrigada meu Deus! (Formando fellings)
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
terça-feira, 13 de novembro de 2012
A-pena-s de mim?
Não aguentava mais as tranças de sentimentos que me encontrava. Já não sabia mais o que era meu. O que me pertencia. - Mas digo, há algo me pertence neste mundo? - Passagem já não é? Sei que deixo e recebo um pouco, como diz "novos baianos", mas sinto que não estou levando nada a não ser patadas, bordoadas e até belos tapas. As tranças que me encontrava é de tal perigo pois é de mulher perigosa, reluzente, sedutora. As tranças tem bocas e olhos. Olhos de serpentes. Sinto nó. Me apeguei á tal trança que me deixei enforcar. - Digo, deixo-me pois ainda penso. Apesar de pensar, me entrego com um certo gosto á estupidez de ir de encontro á tais tranças. Não me encontrar causa certa angústia, mas é passageira. Quando cavoco á fundo, ou pelo menos passo do raso, já me encontro em profunda melancolia. Me desespero tentando controlar o incontrolável. Sei que já não sou inocente e isso me aquieta. Me aquieta para me aprofundar em quem sou, mesmo sendo dor, sendo drama, sendo drástico. Talvez sendo tudo isso, explosão, sei de mim. Quando me tento pro sossego, percebo que me inquieto mais do que quando encontro tranças devastadoras. Percebo mais do outro que de mim. Mais do mundo que de mim. E eu não quero ser mais eu? Penso que meus sentimentos lançados me causam medo. Chego no não inocente. Meu profundo, meu fundo, sente que sabe de mais. Sente que sente de mais e por sentir, não sabe o que faz. Tem jeito? Me questiono. Me perdi por ai. Me perdi em mim mesmo, no outro, nos outros, em todos. Ora assim os novos baianos tem mais razão que a própria razão? Ninguém vive só. Ou vive? Se vive não quero. Não posso. Até por que me sinto tantos que sozinho jamais estarei. (NH*)
Trilha sonora: Novos baianos - Mistério do planeta ( AVÁ! )
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
O que eu também não entendo.
A subjetividade de cada um, vai além dos nossos entendimentos. Sou adepta ao não entender, porém, busco constantemente encontrar de alguma maneira, ser justa á mim mesmo quando não entendo. O exercício de deixar pra lá e relevar algumas coisas da vida é tão válido e importante quanto o não deixar por vezes. Verificar o porque de tais sentimentos, assim como o não entender, é de extrema dificuldade para muitos. Eu, por exemplo, não entendo algumas pessoas guardar certas mágoas por pouco. Falo aqui de alguns aspectos que para mim são irrelevantes. Talvez, tais pensamentos só cabem á mim e semelhantes e talvez ainda, por estar nesta determinada fase de vida que me encontro. Sei que somos também seres flutuantes, tais quais podem mudar de opinião. Assim, vejo que poucas coisas, que não nos fazem bem, que nos magoa, também outrora serve para aprendizado, e então, experiência. Pensando de tal maneira, porque há aqueles que se apegam e aquietam-se em fantasmas passados? Digo aqui, sobre mesmo peso, bobeirinhas á assuntos graves, já, que para cada um, o sofrimento cabe de maneira única. Sofrer faz parte. Faz parte ainda a elaboração deste sofrimento e a superação do mesmo. Algo que insiste em voltar para "atormentar" os pensamentos, podem ser controlados. Nosso inconsciente pode trazer á tona muito dos nossos medos e desejos, porém nós temos o poder de decidir o que fazer com o que nos vem. Quando há chance para se conversar sobre algum assunto, por que não o fazer? Tenho o costume de brincar comigo mesmo em algumas situações de decisão, que -por exemplo- já tenho o não, porque então não tentar algo diferente? Digo á mim mesmo que posso ter outras possibilidades. Posso errar e posso acertar.Tudo é probabilidade e lançar-se na vida. Bobeira ou não, não sofro quando tenho pensamentos positivos sobre tal coisa. Se algo não sai como gostaria, mesmo frustrada, penso que há outros dias, outras chances, outras possibilidades. Não, não sou mágica, nem falo que isso é fácil e muito menos que consigo sempre, mas digo que se consigo elaborar e entender o porque de algo o processo de relevar e tentar outro meio me parece bem útil. Volto então no aspecto do não entender. Não entendo então, porque algo pequeno nos trava por vezes. Não entendo o porque nos deixamos travar. Não entendo de forma inconformada e não simplesmente não entender. Posso acompanhar o raciocínio de alguém que não aceita e fim, porém não entendo como nos permitimos deixar algumas situações nos abalar. Poderíamos simplesmente deixar pra lá. Poderíamos apenas relevar. É, talvez até existam pessoas assim, mas na maioria das vezes não aquietamos. Inquietamo-nos então e não satisfeitos inquietamos o outro. Nos incomoda mais o fato de alguém nos magoar do que de fato o porque me magoei com aquilo que o outro - talvez nem exista um outro - me disse/fez. Talvez consigo mesmo supõe-se algo e fixa-se naquilo. Pela subjetividade não existe então regras, mas podemos dizer para nós mesmos, em momentos de raivas, mágoas, entre coisas do tipo, que há possibilidade de relevar, de conversar sobre, de apenas filtrar e de também extrapolar. Há a possibilidade da pessoa perceber daquilo discutido, o que realmente importa. Através do sofrimento as pessoas crescem, se adequam e se superam. Através da dor, pode-se criar estratégias para o que importa. Pode-se também ficar estancado de peito fechado e de braços atados. Pode-se tomar decisões ou simplesmente esperar. Pode-se fazer o que se bem entende, mas não seria melhor poder escolher estar em paz? Este estado não se remete apenas á calmaria, mas sim á coração leve. Digo aqui, você poder ser você e pensar por você. Digo também á um poder responsabilizar-se por uma escolha e seguir, seja qual for. O caminho para estar bem, é descobrir seus limites, anseios, desejos, entre outros em proporções que lhe fazem estar perto de si mesmo. É aceitar o seu jeito e dentro das possibilidades buscar o equilíbrio e o melhor pra si mesmo. Sobre relevar, á mim, cabe muita coisa. Vivo conforme a música, mas eu troco e sei que por vezes o ritmo pode mudar. Buscar estar em um estado de espírito que me permite dizer estar em paz, é o que me move á relevar certas coisas, o que me faz buscar entender o que eu também não entendo. *(NH)
Trilha sonora: (I've Had) The time of my life - Dirty Dancing
terça-feira, 25 de setembro de 2012
De sombra á luz o amor se dá.
Os contos de fadas estão modernos. Não se perde mais o sapatinho, se deixa o telefone, e-mail, Skype. A mulher procura além do carinho, se certificar que seu companheiro irá apoiá-la e acompanhá-la em suas decisões diárias. Isso inclui desde te "salvar", porque está perdida em um trânsito estressante, á planos sobre sua futura carreira. Ele é sensível, amoroso, de opinião, inteligente e te escuta. É um coquetel de todo complexo de édipo. Também há a questão de poder ser você mesmo, cheia de pacotes emaranhados de outras experiências. Poder chorar no ombro de alguém que não importa com suas curvas mais acentuadas, aliás, pra ele, isto torna-se um charme. Isso sim é um conto de fadas. É você poder contar seus maiores fantasmas e ele rir, dizendo que você está segura, porque além de você ser inteligente, você tem os braços fortes dele que lhe confortam. O amor, está mais presente nos detalhes, e os detalhes, mesmo que se momentos insuportáveis, ajudam a crescer, amadurecer e compreender seu companheiro. Seus medos são compartilhados. Seus sonhos também. Você tem vontade de ver a pessoa amada no meio de uma aula sobre neuroanatomia. você percebe que um objeto qualquer, como um marca texto, pode representar um sentimento maravilhoso, pois daquele simples objeto, algo fora compartilhado. Contos de fada para mim, é esperar o despertar com um beijo de bom dia. É em dias de chuva, você se deixar sentir medo dos trovões e saber que mesmo que chova durante tempos, o sol vai retornar. É saber que diante de muitas possibilidades, você escolheu e foi escolhida. Quando se toma por romantismo, o dia a dia de um apaixonado para os esperançosos se torna quase um poema. Há aqueles que se enjoam da melação. Acontece. Eu já provei de ambos os lados. Hoje provo do amor. Eu entendo o amor, como algo subjetivo, como muitas outras coisas da vida. Entendo que vai de se permitir, entregar e sobre trocas. Acredito também que o amor tem suas sombras e que pra sermos e sentirmos amadas é necessário o conhecimento das mesmas. É necessário provar do que se desgosta para saber o que prevalece em uma relação. Aqui me especifico em relacionamento entre dois amantes, porém não restrinjo minha opinião á somente este. Me permito integrar em todas as relações. Hoje em específico, no auge de muitos aspectos de minha vida, vejo entregue ao verbo amar. Neste verbo, me sujeito modificá-lo dizendo que se conjuga juntamente com mais tantos outros. O amar vem com respeitar, doar, compartilhar, desvendar, rolar, permitir, desgostar, chorar, sorrir...
O verbo amar está á tantos outros que não saberia descrever o amor. Discorreria uma série de sentimentos que me veem á cabeça que nem sempre são luz. De todos verbos, acredito que este seja especial, pois poetas se esbanjam desta palavra. Poetas que se entregam e se inspiram diariamente em decepções amorosas, deleites, e estranhos amores. Poetas que se entregam a magia de um sentimento não tão mágico assim, cientificamente falando. Se falarmos de substância, o amor libera dopamina, trazendo a sensação prazerosa e então somente isto. É claro que o desprazer de tantas horas não é gostoso, porém de alguma forma, algo de bom se faz. Há uma experiência em relação ao que se passou. Este post, é quase que uma declaração. É bem em primeira pessoa (não que os outros não sejam, já que a autora, no caso eu, se dá de algum jeito em palavras por vezes). Hoje, meu dia de número ímpar por vários motivos está mais cheio de sombras e luz, porém a última se sobressai. Não sou supersticiosa, mas não descarto alguns ritos. Pode se dar por hábitos á sentimentos de fé em algo. Digo por exemplo então o que eu tenho com o número 7. Nasci no dia 7, e isso já se faz especial para mim. Foi meu marco nesta vida, meu início, e outros "setes" podem se tornar também inícios de ciclos. Como essa fé em poder começar ciclos, tenho pra mim, que encontrei meu príncipe dos contos de fadas. Tenho pra mim que ele veio não resgatar alguém - se não á mim, quem? - mas mostrar-me o melhor e o pior de mim. Tenho, como se fosse vítima de mim mesmo e portanto desejo, um príncipe bem real e sem mera realeza (não contando com sua educação de lorde). De princípio básico, onde se parte desta educação singela e respeitosa, de voz aveludada e lindos olhos negros se dá um homem mais que companheiro. Um formador de opinião. Um sujeito que respira e aspira crescimento. Seus desejos e inteligencia se destaca destes olhos negros. O sorriso, branco e desarmador demostra a dedicação e lealdade para consigo mesmo. A rasgação de seda é pouca perto deste apaixonante homem. Poderia assim como tantas outras paixões de vida - família, amigos - por horas e horas e talvez á fundo, anos colocar em palavras o que se sente quando se está apaixonada, mas o melhor é que já fizeram e fazem á todo momento poetas por ai. Me dedico somente á sentir. Sinto um grande alívio poder sentir e deixar-me ir por este tão não somente verbo amar. Eu, que em palavras expresso por vezes sentimentos mais profundos, não saberia contar o que se passa em um coração apaixonado. O desejo antecipa o ato. Consigo apenas dizer que permitir sentir é uma boa forma de se conhecer. Permito- me também sofrer quando decido me lançar á tal sentimento, assim como qualquer outro. Estamos sujeitos á tudo e isto mesmo que amedrontador é instigante, assim como aqueles olhos negros. Então, em meio á declarações, permissões, e mistérios, fico á mercê de um conhecer-nos na mais profunda troca. Te amo meu amor. (NH*)
Trilha sonora: Eric Clapton - Wonderful Tonight
terça-feira, 4 de setembro de 2012
É tudo sobre bigodes. E saias de chita, claro.
Caso das acácias, dentes e músculos. Mas como um ser tão ser consegue se ver somente no homem ideal? Mulher tão convicta e decidida que diante desse amor derrete de um todo que seu eu vai junto. Se vê perdidamente louca por uma visão que se criou. Um Deus. Um herói inabalável, que surgiu em meados de sua infância. Algo que meio perturbador, sua mãe ora co-autora de seus desejos ora cortante dos mesmos a proíbe do fruto que desesperadamente deseja. Se vê mulher e se faz frágil, para que mais tarde algo como o que lhe desejara antes possa vir resgata-lá desse mundo. Volta e meia se perde aos cigarros e outros vícios que lhe incomodavam em outros tempos. Desta vez acrescenta-se barba. O bigode do outro homem que acalmava, já não se faz mais presente, porém juntamente com a barba os braços continuam, agora mais fortes. Mais tola é, se acredita que conhece essas proibições e fantasias assim, tão exposta. Ela que já está em seu décimo namorado, ama ainda demais. A ferida viva atenta para lhe deixa-la viva. Isso de inquietar faz com que ela se mova. Acredita-se que não irá viver tanto, mas o tanto que se está vivendo, ela se joga. É jovem. Inventa amores, atores, clamores. Inventa de um tudo para sobreviver diante o nada que se põe disfarçadamente á sua frente. Até se perde de propósito. Como disse, ela gosta de fantasias. Cria-se demais. Vinicius de Morais faria um poema para ela. Se chamaria drama. Ela recitaria com uma taça de vinho tinto na mão e com os olhos borrados de maquilagem. Seus olhos sempre estão borrados por sinal. Até mesmo sem vinho. É como se fosse sua marca. Sua meia calça rasgada, também é bem vinda. Diz que mostra personalidade. Quando questionada sobre tal, apenas diz que a vida é como uma meia calça. É fina, é linda, sensual e a vida faz questão de ter rasgos do cotidiano. Fica feio então? Eu não acho, diz a moça. Eu vejo rasgos como experiência. E digo de boca cheia quando olho para as minhas rasgadas, como amadurece. Volta e meia ela liga para sua mãe. Deseja se acomodar as vezes, mas de um jeito nada comum. Deseja acomodar-se nela mesmo e não ligar para bobagens da tv. Adora música francesa. Não sabe uma palavra, mas aquele som sensual á faz viajar mais que a própria viagem. Se não tivesse três gatos, teria um cachorro. Tem medo de não conseguir dar atenção á todos. Lê poesias e implica com vírgulas. Coloca-as até mesmo onde não precisa. Diz gostar da sensação de não ser um ponto final. Acredita em horóscopo. Não pelo fundamento, até mesmo por que não sabe qual é, mas pelas estrelas e pela lua. Acredita que as mesmas influenciam á vida das pessoas. É tão linda, mas odeia suas pernas tortas. Na verdade as meias são para cobri-las, e passa calor de vez em quando por isso. Pensa em ser astrônoma, ou dentista. Tem dúvidas se deve estudar. Gosta mais de ler letras de rock'n roll. Se diz não ciumenta, mas se alguém mexe em seu diário é como se roubassem á alma. O telefone toca, ela sai correndo, mas tem medo de números desconhecidos. Não por nada, mas porque pensa muito na morte. Seu amado de hoje, é a cara do pai. Até achei que disse isto no começo, não disse? Vive rabiscando seus cadernos com símbolos de outro plano. Não é moderna. Ainda escuta discos. Não acredita que nada possa ser solucionado, mas ninguém tira da cabeça que é uma teimosa convicta. Não gosta da cor marrom e implica com ela. Diz ser uma cor feia, mórbida. Essa menina, toda apaixonada não tem muitos amigos, e não é porque não quer. É porque seus livros fazem companhia enquanto seu amor não chega. Este último toma muito tempo desta moça, e ela não entende por que raios seus suspiros (pela décima vez) anda causando uma dor no peito. Seria algum problema com seu Romeo? Contei que ela adora Shakespeare? O mundo de hoje pra ela não existe, apenas o tempo. Não esconde o medo de escuro, mas pra dormir a tarde fecha todas as cortinas. É tão comum mas é diferente. Deve ser aqueles olhos negros que encantam. Pode ser também as pernas tortas. Os defeitos costumam atrair bizarramente algumas pessoas. Alguns a vê como diferente até demais. Alguns acreditam ser sua melhor qualidade. Sim, as pernas tortas. Uma menina diferentemente torta e comum. Olha, através de tudo que se é, ela sente uma saudade daquele bigode. Aquele mesmo, dito acima. O que lhe fora cortado á anos. Por que é que as pessoas tiram os bigodes da vida? Quando se cresce, o desejo volta. Parece um samba de escola de samba que em todo carnaval a gente aguarda entrar no salão, e quando entra dá samba. Sambeando por ai, sambinha bom, samba. (desculpa, samba é uma boa palavra, não acham? Eu não sei não, mas essa menina tem jeito de que gosta de sambar). Essa menina tão menina ainda. Me questiono se ela mesmo se deu conta. Algo lá atrás está de volta, e não estamos somente falando de apetrechos, fala-se aqui do próprio amor. O desejo reprimido sem explicação causa um desconforto. Nem em suas letras de rock descansa. Ela tem tantos sonhos secretos. Ela tem tantos cartões postais. Ela é cara, ela é coroa. Vive numa linha tênue entre tudo. Vive vírgula e larga tudo pela metade. Ela ainda vai escrever um livro. Tem frases feitas pra tudo, mesmo que copiadas de outros autores. Mesmo sendo todas copiadas de outros autores. Diante de todo esse furacão de ser, ainda sim, se perde por seu amor. Entendem sua angústia? Ela me parece esperta demais para cair nos truques do amor. Mesmo assim olha que menina tola se faz. Pela décima vez, eu friso. DÉ-CI-MA vez menina? Menina namoradeira esta. Menina que poderia usar saias de chita e dançar em praças, mas não, tinha que gostar de meias calças? E por Deus, rasgadas? Como pode então querer se dar por tola? Vingo-me tentando entender que no amor, os mais primitivos desejos retornam mesmo e não somente desejos antigos, como as barreiras impostas se voltam. Não é regra como nada se é, porém consigo explicar para os corações que não somente as de saias de chita se perdem por isso. Pode-se então por hoje dormir em paz com sua inquietude. Descubre-se que algumas saias por ai, de algum modo fazem parte das meninas de meia calças rasgadas. (NH*)
Trilha sonora: Zeca Baleiro - Flor de pele
Moral-mente falando, estou de acordo?
"Talvez nem me queira bem
Porém faz um bem que ninguém
Me faz"
Me faz"
É com este trecho de Chico que me deixo "á falar". Percebo que acreditamos forte-mente em alguns padrões impostos por ai. Digo impostos o que nos diz moral-mente respeito. Padrões imutáveis e perigosos. Perigosos porque? Penso que se não me adequo á algo que se impõe á minha volta, culpa de algo surge refém. Dessa culpa, que nem sei porque surge, me tomo de medo, angústias, pensamentos automáticos e tentativas de encaixe. Me frustro mais, porque desejo (assim penso que penso ser isso) algo que não desejo porém. Ai filosofar-me vou. Há quem me pego desejando? O quê e por quem? Talvez minhas morais não somente minhas e talvez nada minha se deixam levar pela falta de não ter/ser igual á padrões desejantes d'outros. Terceiros tanto humanos quanto imagens(ora pois humanos atrás de imagens) me colocam em risco do ser. Penso por vezes precisar de aprovações destes outros. Outros que na angústia do ser/ter, me ajudam á entender que somente preciso de nada destes padrões, como o tentar precisar me adequar me frustra. Ora pois, frustração então, juntamente com angústias da existências até mesmo discussão do que real desejo, é preciso, é de muito agrado, já que neste desafio de me encontrar compreendo minha vulnerabilidade ímpar para decidir sobre algo. Me vejo como um ser vazio, sugando informações muitas vezes nada útil. Não descarto a perda de tempo que me faz pensar nas tais futilidades, porém hoje, me vejo aproveitando destes momentos para refletir sobre o porque destas escolhas. Cá entre nós, futilidade também pode me causar prazer momentâneo não? Tanto para definir algo como fútil, devo de antemão sugerir um auto entender por necessitar. Novelas. Entraria nesta categoria? Ou poderia, neste momento conseguir relaxar com minha família e apenas estar neste nível, relaxamento. Porque temos manias de padronizar tudo se nada temos em comum? Radicalizei agora, não? Esqueçam, ou melhor dizendo, coloquem de lado toda a genética e /ou algo que possa ligar á outro sujeito por obséquio. Agora pense em algo que seja superficial e perda de tempo para você. Agora pense em quem leva isso á sério. Você se acha mais, ou menos do que essa pessoa por não acreditar ou compartilhar do mesmo gosto? Atente para seus julgamentos. O gostar muitas vezes está internalizado devido á Outros. Não retirando parcial "culpa" por decisão de quem á toma. Assim, podemos a partir de Chico, compactuar, ou somente observar, que padrões, como o amor perfeito, filhos estudiosos, pais maravilhosos e heróis, entre outros quaisquer tantos outros, podem fazer ou não parte de mim, porém o que faço com isto, não se deve padronizar. Sou/posso ser quem eu quiser. Posso até mesmo estar dentro dos padrões por ai, mas que eles não me censurem e me angustiem para um todo de sofrimento. Se sofro por tempo, que me recupero então perante o desejo real. (NH*)
Trilha sonora: Chico (querido Chico) Buarque - Ela faz cinema
domingo, 26 de agosto de 2012
27/08 - Então sou?
Ser psicólogo. Ser humano. SER? Sou algo?
Nessa última etapa da graduação do curso de psicologia, penso em algumas palavras aos meus colegas psicólogos (aos futuros, como eu, e aos já profissionais), já que amanhã, nós comemoramos o dia do PSICÓLOGO.
Á cada segundo que se passa, algo acontece no mundo. Bebês nascem, tragédias acontecem, casamentos, divórcios, amores, entre outras experiências que 'cortam' o dia a dia. Cada pessoa, á seu modo vai se configurando á partir de seu limite interno, de seus sentimentos á respeito desses cortes. Á cada momento há algo novo, mesmo que o novo se repita. Para elaborar algo tão grandioso em momentos desesperantes - digo mesmo quando alegres, pois alegria demais também assusta - há um ser, que de antemão acolhe o outro. Uma pessoa que abraça sua angústia e lhe dá espaço para se mostrar. Existem milhares de teorias, milhares de autores, entretanto o que une psicólogos é a vontade de ajudar. Ajudar alguém que perdido se encontra. Nunca seremos mágicos. Nunca seremos adivinhadores, mas podemos juntos, em um processo de escuta, frisar e orientar através do que se faz sentido ao sujeito, um caminho. Este caminho no entanto, é livre. Sim, por vezes se deparam com a angústia de um alguém que se diz ajudar, no silêncio. Este, que por si só é mesmo desesperador por vezes. O que esquecemos é de que não sabemos o que o outro quer, até que o mesmo fale. Psicologia é mais que um escutar. Também podemos subir o morro, arregaçar as mangas e irmos de encontro com a necessidade. Não estamos atados. Não somos presos em modelos. Deparamos com o estranhamento quando saímos do modelo clínico. Até nós estranhamos. Porém, sabemos que há necessidades em todos os lugares, assim como dentro de nós. Por ser a mente, nosso material de trabalho, precisamos estar em constante busca de equilíbrio mental. Psicologia para mim é então, estar em harmonia consigo mesmo, assim, com uma escuta apurada, sentir quando pontuar, quando esperar, entre outros manejos. Psicologia é estar empático para o outro. Estar comprometido naquele momento á fala exclusiva desse outro. É exercício constante em deixar pré julgamentos e moralidades nossas, virem á tona quando, necessita-se de um olhar para o sujeito. É reinventar dinâmicas de acordo com as demandas. É entrar em contato com os medos, anseios, desejos, alucinações, paranoias, sem se perder. É busca constante por algo invisível á luz dos olhos. É tornar-se mais perto de ser o que se é. É libertar-se de culpas, ou ameniza-las. É tentar chegar á uma verdade subjetiva, uma verdade para quem á conta. É saber que dessa vida, nada se sabe. É entender que existe tempo atemporal. É sair da 'mesmisse', do achismo, do pronto e imutável e se ver lançado á todas as possibilidades. É também entender que falhamos, e saber que até na falha podemos realizar um auto questionamento para melhorias. É entender que Freud, Lacan, Melaine, entre tantos fazem parte de nossas vidas, mas que eticamente, posso fazer manejos de acordo com o momento. É ser e estar, vier e deixar ir. É um orgulho poder fazer parte desse time. Feliz dia dos psicólogos.
Por fim, que de alguma maneira, este simples texto cause algo em vocês.
*** Perdoem as simples palavras, mas meu peito transborda ansiedade. Preciso deixar fluir. (NH*)
Trilha sonora: The Black Eyed Peas - The Time
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
O que de mim não suporto no outro?
"Não sei, mas algo naquela pessoa me incomoda". Alguém já falou/pensou isso de alguém? Porque me incomodo tanto com ele(a). O que nela não suporto? Será que estamos fazendo as perguntas certas? Bom, eu procuro ( sempre, ou quase sempre) fazer uma outra perguntinha. O que neste incomodo é real e quanto disso é meu? Como assim? A gente tem mania (transferências) de projetar sempre algo no outro. Isso são coisas da vida. Faz parte. Dentre essas experiências vivenciais, há algo meu que não suporto. Há aqueles desejos não vividos, sentimentos que vão se acumulando em mim, entre tantos outras lacunas reais e fantasmáticas que projeto nestes outros. Toda relação, sendo troca (palavras minhas), deixo e busco algo do outro que penso precisar. Esse processo muitas vezes inconsciente é que vai me direcionar á essas transferências. "Ah, não sei, aquela menina está me chateando". "Não suporto o jeito que ela me olha". Vamos lá, por quê será? Ela fez algo realmente para que eu a não suporte ou algo nela está mexendo com algo que é meu e ainda não me dei conta? A coitada da menina nem te conhece e te olha como olha para todos que estão neste desconhecer. Apenas com curiosidade, digamos. Essas hipóteses levantadas então para mim mesmo são de grande ajuda para tentar identificar coisas que ainda não tinha notado. Acredito que quando se consegue lidar com esta descoberta, ótimo, quando não, tornando-se angústia pura ou qualquer sentimento de sofrimento, por que não procurar um psicólogo? Alguns exercícios, posso fazer/tentar diariamente, mas quando se há um outro para pontuar alguns aspectos mais enraizados, conseguimos permear estas projeções e entrar na raiz daqueles porquês. Assim, antes de mais nada toma-se por si mesmo e procure pensar onde está o incomodo. Só te obter esse raciocínio de possibilidade de que isto é "somente seu" já nos permite abrir um leque de pensamentos deixando de lado apenas uma resposta. Refletir para uma melhoria interna, nos proporciona uma busca no qual nem sempre é fácil, mas durante esse processo, surge coisas tão fantásticas sobre si mesmo que elaborando de certo, podemos ser livres. (NH*)
Trilha sonora: Pitty - Só Agora
terça-feira, 21 de agosto de 2012
E então já não era a mesma
E se fazia toda perfume ao cair á noite. Esperou por horas. Seu cigarro queimava no cinzeiro. Todo carro que passava, pensara que era ele. O telefone toca. Uma eufórica angústia se toma. Permite um sorriso tímido. Não era de seu interesse. Retorna então ao ritual de espera, porém agora acompanhada de um dry martini. Sua azeitona, quase nem mexida é algo que se ilumina para Sophia. Questiona-se como seria ser algo não pensante, algo estável. Ri sozinha. Se torna louca, pensa. Volta a olhar para á azeitona. Algo aconteceu. Nesse intervalo de um sorriso tímido e uma azeitona estática. Já não era mais a mesma. Agora a inquietação era de outra ordem. Amedrontou-se, então. Fica sem ar. Derruba o martini. Ele chega. Como de costume, Carlos mal a olha, não se nota o perfume, tão pouco o desejo. Sobe para o banho. Sophia, que já não se sabe o que lhe acontecera, chora. Chora um choro despertar. Pensa em sumir, desistir mas nem sabe de quê. Espera Carlos descer. Recompõe-se. Volta-se o perfume, porém agora algo já se apagou. O cigarro já se queimou e seu martini, ao chão, quase que transparente, se mistura com os restos de poeira do tapete. Pobre Sophia, algo despertou.(NH*)
Trilha sonora: I Put a Spell on You - Nina Simone
sábado, 18 de agosto de 2012
Sei de mim assim?
Dor. Quem sou eu para subestimar uma dor. Dor por si só, apenas falada já dói, inquieta. Como internalizo minhas vivências é que vai me direcionar para um maior enfrentamento ou estancar por um momento. Sei que tenho possibilidades, e sei que permito entrar ou sair de tal momento angustiante. Sei também que todos somos seres únicos, com pensamentos e sentimentos únicos no qual a existência subsidia meus manejos. Assim, por ser único, não cabe a mim ou á ninguém julgar e medir a dor de um outro. Mesmo que passando pela "mesma" situação, nem mesma já é, quanto mais o sentir. Caracteriza-se por julgamento algo pré-conceituado que meus valores se colocam á frente dos sentimentos desse outro, tornando assim então minha moral e somente minha. Posso ter minhas idéias entre moralidades, mas quem sou, para imaginar que o que o outro sente é menos ou mais que tantos? Ninguém é tão algo que sabe d'outros tão bem quando nem de si dá-se conta. Nenhuma dor/angústia/sentimento é de fato falado. É sentir, logo é particular. Posso sentir um luto profundo frente á uma desilusão amorosa que me deixe marcas até quando conseguir elaborar e talvez permitir deixar de lado. Posso também sentir algo passageiro pelo mesma experiência. Posso sentir o que quiser e o quanto drama tiver de vir. Me construo aos poucos, e nessas vivências me modulo e me permito mudar. Cabe a mim, ser subjetivo, saber o que sinto e quanto de profundo há nisso. Somos tanto que não possuímos sabedoria tal grandiosa para conhecermos tanto o que no outro se manifesta. É através do que você conta que sei de algo. Sem saber onde e qual importância tal coisa tem para você, não poderei experimentar pré-julgar algo que talvez nem você tenha se tocado. Tal relação, me permito também colocar como ser humano, pois se cada um cuidasse do que é de fato seu, ( aqui retiro o caráter do desejo do Outro psicanalítico) internamente, talvez, surgiria uma relação de empatia e porque não harmonia em nosso viver? Concluo, que não há nada de errado em pensar o que é a dor para o outro, mas friso, que ao certo, o que penso não é dele e sim meu, portanto, muitas vezes o tentar adivinhar não passa de uma realização de um desejo seu para talvez ajudar este outro ou sentir-se que há um outro que precisa de você. (NH*)
Trilha sonora: Quase sem querer - Legião Urbana
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